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Leitura do Dia - 15/06/2026 — Jó 29 a 33

Jó 29

1 Jó continuou a falar:

2 “Tenho saudade dos tempos que passaram, dos dias em que Deus cuidava de mim.

3 Ele iluminava o caminho à minha frente, e eu andava em segurança em meio à escuridão.

4 Na flor de minha idade, a amizade de Deus estava presente em meu lar.

5 O Todo-poderoso ainda estava comigo, e eu tinha meus filhos ao redor.

6 Meus pés eram lavados em leite, e ribeiros de azeite corriam das rochas para mim.

7 “Naquele tempo, eu ia até a porta da cidade e tomava meu lugar entre os líderes.

8 Os jovens abriam caminho ao me ver, e até os idosos se punham em pé.

9 As autoridades se calavam e colocavam a mão sobre a boca.

10 Os mais altos oficiais da cidade faziam silêncio e refreavam a língua em sinal de respeito.

11 “Todos que me ouviam me elogiavam, todos que me viam falavam bem de mim.

12 Pois eu auxiliava os pobres que pediam ajuda e os órfãos que precisavam de socorro.

13 Os que estavam à beira da morte me abençoavam; eu trazia alegria ao coração das viúvas.

14 Era honesto em tudo que fazia; a retidão me cobria como manto, e a justiça eu usava como turbante.

15 Servia de olhos para os cegos e de pés para os aleijados.

16 Era um pai para os pobres e defendia a causa dos estrangeiros.

17 Quebrava as mandíbulas dos ímpios e de seus dentes resgatava as vítimas.

18 ‘Por certo morrerei rodeado por minha família’, pensava, ‘depois de uma vida longa e boa.

19 Pois sou como a árvore cujas raízes chegam até a água, cujos ramos são refrescados pelo orvalho.

20 Recebo sempre novas honras, e minha força vive renovada.’

21 “Todos escutavam meus conselhos; ficavam em silêncio e esperavam que eu falasse.

22 E, depois que eu falava, nada tinham a acrescentar, pois o que eu dizia os satisfazia.

23 Esperavam minhas palavras como quem espera a chuva; bebiam-nas como chuva de primavera.

24 Quando estavam desanimados, eu sorria para eles; valorizavam meu olhar de aprovação.

25 Como um líder, eu lhes dizia o que fazer; vivia como rei entre suas tropas e consolava os que choravam.”

Jó 30

1 “Agora, porém, os mais jovens zombam de mim, rapazes cujos pais não são dignos de correr com meus cães pastores.

2 De que me serve a força deles? Seu vigor já desapareceu!

3 Enfraquecidos pela pobreza e pela fome, roem a terra seca, em regiões sombrias e desoladas.

4 Colhem ervas silvestres entre os arbustos e comem as raízes das giestas.

5 São expulsos, aos gritos, da companhia das pessoas, como se fossem ladrões.

6 Agora, moram em desfiladeiros medonhos, em cavernas e entre as rochas.

7 Uivam como animais no meio dos arbustos e ajuntam-se debaixo dos espinheiros.

8 São gente insensata, sem nome nem valor; foram expulsos da terra.

9 “Agora, divertem-se às minhas custas! Sou alvo de piadas e canções vulgares.

10 Desprezam-me e ficam longe de mim; só se aproximam para cuspir em meu rosto.

11 Pois Deus cortou a corda de meu arco; já que ele me humilhou, eles não se refreiam mais.

12 Essa gente desprezível se opõe a mim abertamente; lançam-me de um lado para o outro e planejam minha desgraça.

13 Bloqueiam meu caminho e fazem de tudo para me destruir. Sabem que não tenho quem me ajude;

14 atacam-me de todos os lados. Quando estou caído, lançam-se sobre mim;

15 vivo aterrorizado. O vento carregou minha honra; minha prosperidade passou como uma nuvem.

16 “Agora, minha vida se esvai; a aflição me persegue durante o dia.

17 A noite corrói meus ossos; a dor que me atormenta não descansa.

18 Com mão forte, Deus agarra minha roupa; pega-me pela gola de minha túnica.

19 Lança-me na lama; não passo de pó e cinza.

20 “Clamo a ti, ó Deus, e não me respondes; fico em pé diante de ti, mas não me dás atenção.

21 Tu me tratas com crueldade e usas teu poder para me perseguir.

22 Tu me lanças no redemoinho e me destróis na tempestade.

23 E sei que me envias para a morte, para o destino de todos os que vivem.

24 “Por certo, ninguém se voltaria contra os necessitados, quando clamam por socorro em suas dificuldades.

25 Acaso eu não chorava pelos aflitos? Não me angustiava pelos pobres?

26 Esperava o bem, mas em seu lugar veio o mal; aguardava a luz, mas em seu lugar veio a escuridão.

27 Meu coração está agitado e não sossega; dias de aflição me atormentam.

28 Ando nas sombras, sem a luz do sol; levanto-me em praça pública e clamo por socorro.

29 Contudo, sou considerado irmão dos chacais e companheiro das corujas.

30 Minha pele escureceu, e meus ossos ardem de febre.

31 Minha harpa toca canções fúnebres, e minha flauta acompanha os que choram.”

Jó 31

1 “Fiz uma aliança com meus olhos de não olhar com cobiça para nenhuma jovem.

2 Pois o que Deus, lá de cima, escolheu para nós? Qual é nossa herança do Todo-poderoso, que está lá no alto?

3 Não é calamidade para os perversos e desgraça para os que praticam o mal?

4 Afinal, ele não vê tudo que faço e cada passo que dou?

5 “Se minha conduta foi falsa, e se procurei enganar alguém,

6 que Deus me pese numa balança justa, pois conhecerá minha integridade.

7 Se me desviei de seu caminho, se meu coração cobiçou o que os olhos viram, ou se sou culpado de algum outro pecado,

8 que outros comam o que semeei; que minhas plantações sejam arrancadas pela raiz.

9 “Se meu coração foi seduzido por uma mulher, ou se cobicei a esposa de meu próximo,

10 que minha esposa se torne serva de outro homem; que outros durmam com ela.

11 Pois a cobiça é um pecado vergonhoso, um crime que merece castigo.

12 É fogo que tudo consome, levando à destruição, capaz de destruir tudo que tenho.

13 “Se fui injusto com meus servos e servas quando me apresentaram suas queixas,

14 que farei quando Deus me confrontar? Que direi quando ele me chamar para prestar contas?

15 Pois o mesmo Deus que me criou, também criou meus servos; formou no ventre materno tanto eles como eu.

16 “Acaso me recusei a ajudar os pobres ou acabei com a esperança da viúva?

17 Fui mesquinho com meu alimento e me recusei a compartilhá-lo com os órfãos?

18 Não! Desde a juventude, tenho cuidado dos órfãos como um pai e, por toda a vida, tenho ajudado as viúvas.

19 Sempre que via alguém passar frio por falta de roupa, e o pobre que não tinha o que vestir,

20 acaso eles não me abençoavam por lhes prover roupas de lã para aquecê-los?

21 “Se levantei a mão contra o órfão, certo de que os juízes tomariam meu partido,

22 que meu ombro seja deslocado e meu braço, arrancado da articulação!

23 Seria melhor que enfrentar o castigo de Deus; pois, se a majestade de Deus é contra mim, que esperança resta?

24 “Acaso confiei no dinheiro ou me senti seguro por causa de meu ouro?

25 Acaso me vangloriei de minha riqueza e de tudo que possuo?

26 “Olhei para o sol, que brilha no céu, ou para a lua, que percorre seu resplendor,

27 e, em segredo, meu coração foi seduzido a lhes lançar beijos de adoração?

28 Se o fiz, devo ser castigado pelos juízes, pois significa que neguei o Deus que está lá no alto.

29 “Alguma vez me alegrei com a desgraça de meus inimigos, ou exultei porque lhes aconteceu algum mal?

30 Não, jamais cometi o pecado de amaldiçoar alguém ou de pedir sua morte como vingança.

31 “Meus servos nunca disseram: ‘Ele deixa os outros passar fome’.

32 Nunca deixei o estrangeiro dormir na rua; minha porta sempre esteve aberta para todos.

33 “Acaso procurei encobrir meus pecados, como outros fazem, e esconder a culpa em meu coração?

34 Mantive-me calado e não saí de casa, por medo da multidão ou do desprezo do povo?

35 “Se ao menos alguém me ouvisse! Vejam, aqui está minha defesa assinada. Que o Todo-poderoso me responda; que meu adversário registre sua denúncia por escrito.

36 Eu enfrentaria a acusação de peito aberto e a usaria como coroa.

37 Pois eu diria a Deus exatamente o que tenho feito; compareceria diante dele como um príncipe.

38 “Se a terra protestar contra mim, se todos os seus sulcos clamarem,

39 se roubei suas colheitas, ou se matei seus donos,

40 que cresçam espinhos em lugar de trigo e ervas daninhas em lugar de cevada”. Assim terminam as palavras de Jó.

Jó 32

1 Os três amigos de Jó pararam de lhe responder, pois ele insistia em dizer que era inocente.

2 Então Eliú, filho de Baraquel, o buzita, da família de Rão, ficou irado. Indignou-se porque Jó se achava mais justo que Deus.

3 Também indignou-se com os três amigos de Jó, pois não conseguiram responder a seus argumentos, a fim de demonstrar que Jó estava errado.

4 Eliú havia esperado os outros falarem, pois eram mais velhos que ele.

5 Mas, quando viu que não tinham mais nada a dizer, expressou sua indignação.

6 Assim, Eliú, filho de Baraquel, o buzita, disse: “Eu sou jovem, e vocês são idosos; por isso me contive e não dei minha opinião.

7 Pensei: ‘Os mais velhos devem falar, pois a sabedoria vem com o tempo’.

8 Contudo, há um espírito dentro de cada um, o sopro do Todo-poderoso, que lhe dá entendimento.

9 Nem sempre os de mais idade são sábios; às vezes, os velhos não entendem o que é justo.

10 Portanto, ouçam-me, e eu lhes direi o que penso.

11 “Esperei todo esse tempo, ouvindo seus argumentos atentamente, observando enquanto procuravam palavras.

12 Dei-lhes toda a atenção, mas nenhum de vocês provou que Jó está errado, nem respondeu a seus argumentos.

13 Não venham me dizer: ‘Ele é sábio demais para nós; só Deus pode convencê-lo’.

14 Se Jó tivesse discutido comigo, eu não teria respondido como vocês.

15 Estão aí perplexos, sem resposta, sem terem mais o que dizer.

16 Devo continuar a esperar, agora que se calaram? Devo também permanecer em silêncio?

17 Não! Darei minha resposta; também expressarei minha opinião.

18 Pois tenho muito a dizer, e o espírito em mim me impulsiona a falar.

19 Sou como um barril de vinho sem respiradouro, como uma vasilha de couro prestes a romper.

20 Preciso falar para ter alívio; sim, deixem-me responder!

21 Não tomarei partido, nem tentarei bajular ninguém.

22 Pois, se tentasse usar de bajulação, meu Criador logo me destruiria.”

Jó 33

1 “Jó, ouça minhas palavras, preste atenção ao que vou dizer.

2 Chegou minha vez de falar; as palavras estão na ponta da língua.

3 Falo com toda a sinceridade, digo a pura verdade.

4 O Espírito de Deus me criou, o sopro do Todo-poderoso me dá vida.

5 Responda-me, se puder; apresente seus argumentos e defina sua posição.

6 Você e eu somos iguais diante de Deus; eu também fui formado do barro.

7 Portanto, não tenha medo de mim; não serei severo demais com você.

8 “Você falou em minha presença, e ouvi bem suas palavras.

9 Você disse: ‘Sou puro e não tenho pecado; sou inocente e não tenho culpa.

10 Deus procura motivos para se opor a mim e me considera seu inimigo.

11 Prende meus pés no tronco e vigia todos os meus movimentos’.

12 “Mas você está enganado, e eu lhe mostrarei o motivo, pois Deus é maior que qualquer ser humano.

13 Sendo assim, por que você o acusa? Por que diz que ele não responde às queixas humanas?

14 Pois Deus fala repetidamente, embora as pessoas não prestem atenção.

15 Fala em sonhos, em visões durante a noite, quando o sono profundo cai sobre todos, enquanto dormem em suas camas.

16 Sussurra em seus ouvidos e aterroriza-os com advertências.

17 Faz que deixem de praticar o mal e livra-os do orgulho.

18 Preserva-os do túmulo e de serem atravessados pela espada.

19 “Deus os disciplina no leito de enfermidade, com dores constantes nos ossos.

20 Eles perdem a vontade de comer; nem mesmo o alimento mais delicioso lhes apetece.

21 Sua carne definha a olhos nus, e seus ossos ficam à vista.

22 Estão cada vez mais perto do túmulo; os mensageiros da morte os esperam.

23 “Mas, se um dos milhares de anjos do céu aparecer, para interceder por alguém e declará-lo justo,

24 Deus terá compaixão e dirá: ‘Livre-o do túmulo, pois encontrei resgate por sua vida’.

25 Então seu corpo se tornará saudável como o de um menino; será forte e jovem outra vez.

26 Quando ele orar a Deus, será aceito. Deus o receberá com alegria e o restituirá à condição de justo.

27 Ele declarará a seus amigos: ‘Pequei e perverti o que é correto, mas não valeu a pena.

28 Deus me livrou do túmulo; agora minha vida contempla a luz’.

29 “Sim, Deus faz essas coisas acontecerem repetidas vezes com as pessoas.

30 Ele as livra da sepultura, para que desfrutem a luz da vida.

31 Preste atenção, Jó; fique quieto e ouça-me, pois tenho mais coisas para falar.

32 Mas, se você tem algo a dizer, responda; fale, pois quero que seja absolvido.

33 Se não tem nada a dizer, fique quieto e ouça-me, e eu lhe ensinarei a sabedoria”.

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