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Leitura do Dia - 12/06/2026 — Jó 11 a 15

Jó 11

1 Então Zofar, de Naamá, respondeu a Jó:

2 “Não haverá resposta a essa torrente de palavras? Uma pessoa é inocentada só por falar muito?

3 Devem todos calar-se enquanto você continua a tagarelar? Quando zomba de Deus, ninguém o repreenderá?

4 Você afirma: ‘Minhas crenças são puras’ e ‘Sou limpo aos olhos de Deus’.

5 Se ao menos Deus se pronunciasse e lhe dissesse o que pensa!

6 Se ao menos lhe revelasse os segredos da sabedoria, pois a verdadeira sabedoria não é coisa simples! Escute! Deus sem dúvida o está castigando muito menos do que você merece.

7 “Acaso você pode desvendar os mistérios de Deus e descobrir tudo sobre o Todo-poderoso?

8 Esse conhecimento é mais alto que os céus, e o que você pode fazer? É mais profundo que o abismo, e o que você pode saber?

9 É mais vasto que a terra e mais amplo que o mar.

10 Se Deus passa e prende alguém ou convoca o tribunal, quem pode detê-lo?

11 Pois ele conhece os falsos e registra seus pecados.

12 É tão impossível um tolo tornar-se sábio como um jumento selvagem dar à luz uma criança.

13 “Se ao menos você preparasse o coração e levantasse as mãos a Deus em oração!

14 Livre-se de seus pecados e deixe toda a maldade para trás.

15 Então seu rosto se iluminará com a inocência; você será forte e não terá medo.

16 Você se esquecerá de seus sofrimentos; serão como águas passadas.

17 Sua vida será mais luminosa que o meio-dia; até a escuridão será clara como a manhã.

18 Você se sentirá seguro, pois terá esperança; estará protegido e descansará tranquilo.

19 Sem medo se deitará, e muitos buscarão sua ajuda.

20 Os perversos, porém, ficarão cegos, sem ter para onde fugir; sua única esperança será a morte”.

Jó 12

1 Então Jó falou novamente:

2 “Vocês de fato sabem tudo, não é? Mas, quando morrerem, a sabedoria morrerá com vocês!

3 Pois bem, eu também sei algumas coisas, e vocês não são melhores que eu; qualquer um sabe aquilo que me disseram.

4 Meus amigos, contudo, riem de mim, pois clamo a Deus e espero uma resposta. Sou justo e íntegro, e, no entanto, eles riem de mim.

5 Quem está tranquilo zomba de quem sofre; dá um empurrão em quem tropeça.

6 Os ladrões, porém, são deixados em paz, e os que provocam a Deus vivem em segurança, embora Deus os mantenha sob o seu poder.

7 “Pergunte aos animais, e eles lhe ensinarão; pergunte às aves do céu, e elas lhe dirão.

8 Fale com a terra, e ela o instruirá; deixe que os peixes do mar o informem.

9 Pois todos eles sabem que meu sofrimento veio da mão do SENHOR.

10 Em suas mãos está a vida de todas as criaturas e o fôlego de toda a humanidade.

11 O ouvido prova as palavras que ouve, assim como a língua distingue os sabores.

12 A sabedoria pertence aos idosos, e o entendimento, aos mais velhos.

13 “Em Deus, porém, estão a sabedoria e o poder; a ele pertencem o conselho e o entendimento.

14 Ninguém pode reconstruir o que ele derruba, ninguém pode libertar quem ele aprisiona.

15 Se ele retém a chuva, a terra se transforma em deserto; se ele libera as águas, há inundações em toda parte.

16 Sim, a ele pertencem a força e a sabedoria; enganadores e enganados estão sob seu poder.

17 Ele destitui os conselheiros e os dispensa; faz de tolos juízes sábios.

18 Tira o manto dos reis e lhes amarra uma corda na cintura.

19 Destitui os sacerdotes e os dispensa; derruba os que estão no poder há muitos anos.

20 Silencia o conselheiro de confiança e retira o entendimento dos anciãos.

21 Derrama desonra sobre os príncipes e deixa os fortes desarmados.

22 “Ele revela mistérios ocultos nas trevas e ilumina a escuridão mais profunda.

23 Exalta nações e as destrói, expande nações e as abandona.

24 Despoja os reis de entendimento e os deixa vagar por um deserto sem caminhos.

25 Andam tateando na escuridão, sem luz; ele os faz cambalear como bêbados.”

Jó 13

1 “Vi tudo isso com os próprios olhos; ouvi com os próprios ouvidos, e agora entendo.

2 O que vocês sabem, eu também sei; não são melhores que eu.

3 Quero falar diretamente com o Todo-poderoso, quero defender minha causa diante de Deus.

4 Vocês me difamam com mentiras; são médicos incapazes de curar.

5 Se ao menos se calassem! É a atitude mais sábia que poderiam tomar.

6 Ouçam minha defesa, prestem atenção a meus argumentos.

7 “Vocês querem defender Deus com mentiras? Apresentam argumentos desonestos em nome dele?

8 Distorcem seu testemunho em favor dele? Acaso são advogados de Deus?

9 O que acontecerá quando ele decidir investigá-los? Conseguirão enganá-lo como enganam qualquer pessoa?

10 Não! Certamente ele os repreenderá se distorcerem às escondidas seu testemunho em favor dele.

11 Acaso a majestade dele não os aterrorizará? O terror dele não cairá sobre vocês?

12 Suas frases feitas valem tanto quanto cinzas; sua defesa é fraca como um pote de barro.

13 “Calem-se e deixem-me em paz! Permitam-me falar, e eu arcarei com as consequências.

14 Sim, porei minha vida em risco e direi o que penso de fato.

15 Ainda que Deus me mate, ele é minha única esperança; apresentarei a ele minha causa.

16 Isto, porém, é o que me salvará: não sou ímpio; se o fosse, não poderia me colocar diante dele.

17 “Escutem bem o que vou dizer, ouçam-me com atenção.

18 Preparei minha defesa; serei declarado inocente.

19 Quem pode discutir comigo a esse respeito? E, se provarem que estou errado, me calarei e morrerei.”

20 “Ó Deus, concede-me estas duas coisas, e não me esconderei de ti.

21 Remove tua mão de cima de mim e não me assustes com tua temível presença.

22 Chama-me, e eu responderei; ou permita que eu fale e responde-me.

23 Diga-me, o que fiz de errado? Mostra-me minha rebeldia e meu pecado.

24 Por que te afastas de mim? Por que me tratas como teu inimigo?

25 Atormentarias uma folha soprada pelo vento? Perseguirias a palha seca?

26 “Escreves acusações amargas contra mim e trazes à tona os pecados de minha juventude.

27 Prendes meus pés com correntes, vigias todos os meus caminhos e examinas todas as minhas pegadas.

28 Eu me consumo como madeira que apodrece, como roupa comida pela traça.”

Jó 14

1 “Como é frágil o ser humano! Sua vida é breve e cheia de aflições.

2 Como uma flor, nasce e depois murcha; como uma sombra passageira, some depressa.

3 É preciso que vigies uma criatura tão frágil e exijas que te preste contas?

4 Quem pode extrair pureza de algo impuro? Ninguém!

5 Estabeleceste a extensão de nossa vida; sabes quantos meses viveremos, e não recebemos nem um dia a mais.

6 Portanto, dá-nos sossego, deixa-nos descansar! Somos como trabalhadores braçais; permite que terminemos nosso trabalho em paz.

7 “Até mesmo uma árvore tem mais esperança, pois, se for cortada, voltará a brotar e dar novos ramos.

8 Ainda que as raízes tenham envelhecido na terra e o tronco esteja podre,

9 com o cheiro da água, voltará a brotar e dar ramos, como uma planta nova.

10 “Mas, quando as pessoas morrem, perdem as forças; dão o último suspiro e, depois, onde estão?

11 Como a água evapora do lago e o rio desaparece na seca,

12 são colocadas no túmulo e não voltam a se levantar. Até que os céus deixem de existir, não acordarão; não serão despertadas de seu sono.

13 “Quem dera tu me escondesses na sepultura e me esquecesses ali até tua ira passar! Quem dera me desses um tempo de descanso, para que só então te lembrasses de mim!

14 Podem os mortos voltar a viver? Assim eu teria esperança durante todos os meus anos de luta e aguardaria a libertação que a morte traz.

15 Tu chamarias, e eu responderia; tu ansiarias por mim, a obra de tuas mãos.

16 Assim, tu protegerias meus passos, em vez de vigiares meus pecados.

17 Meus pecados seriam fechados num saco, e tu cobririas minha culpa.

18 “Em vez disso, assim como os montes desmoronam e as rochas caem de onde estão,

19 como a água desgasta as pedras e as enchentes arrastam a terra, tu destróis a esperança do ser humano.

20 Tu prevaleces sempre sobre ele, e ele se vai; tu o desfiguras na morte e o mandas embora.

21 Não sabe se os filhos crescerão com honra ou afundarão no esquecimento.

22 Ele sofre sua própria dor e lamenta apenas por si mesmo”.

Jó 15

1 Então Elifaz, de Temã, respondeu:

2 “Um homem sábio não responderia com esse falatório! Suas palavras não passam de vento.

3 O sábio não se envolve em conversas sem propósito, nem usa palavras sem sentido.

4 De fato, você não tem temor a Deus e não lhe mostra reverência.

5 Seus pecados dizem à boca o que ela deve falar; suas palavras se baseiam em engano astuto.

6 Sua própria boca o condena, não eu; seus próprios lábios depõem contra você.

7 “Acaso você foi o primeiro ser humano a nascer? Veio ao mundo antes de serem criados os montes?

8 Estava presente no conselho secreto de Deus? Só você é dono da sabedoria?

9 O que você sabe que nós não sabemos? Que compreensão tem que nós não temos?

10 Homens idosos, de cabelo grisalho, mais velhos que seu pai, pensam exatamente como nós!

11 “A consolação de Deus não é suficiente para você? Palavras amáveis não lhe bastam?

12 O que o fez perder a razão? Por que seus olhos chegam a faiscar

13 quando você se volta contra Deus e diz tais absurdos?

14 O que é o ser humano, para se considerar puro? Pode alguém nascido de mulher ser justo?

15 Deus não confia nem nos anjos! Aos olhos dele, nem mesmo os céus são puros.

16 Quanto menos um ser humano detestável e corrupto, que tem sede de perversidade!

17 “Escute, e eu lhe mostrarei; falarei com base em minha experiência.

18 Ela é confirmada pelo relato de homens sábios, que ouviram as mesmas verdades de seus antepassados,

19 daqueles aos quais foi dada a terra, muito antes de chegar qualquer estrangeiro.

20 “Os perversos se contorcem de dor a vida toda; aos cruéis estão reservados tempos de sofrimento.

21 Em seus ouvidos ressoam sons de terror, e mesmo em dias tranquilos temem o ataque do destruidor.

22 Não se atrevem a sair no escuro, por medo de serem mortos pela espada.

23 Ficam perambulando e dizendo: ‘Onde posso encontrar pão?’; sabem que o dia de sua destruição se aproxima.

24 Vivem angustiados e aflitos, cheios de terror, como um rei que se prepara para a batalha,

25 pois agitam os punhos contra Deus e desafiam arrogantemente o Todo-poderoso.

26 Com seus fortes escudos levantados, avançam contra ele em rebeldia.

27 “Em sua prosperidade, o rosto dos perversos inchou, e sua barriga acumulou gordura.

28 Suas cidades, porém, serão arruinadas; habitarão em casas abandonadas, prestes a desabar.

29 Suas riquezas não durarão, seus bens não permanecerão, e suas propriedades não se estenderão pela terra.

30 “Não escaparão das trevas; o sol abrasador queimará seus ramos, e o sopro de Deus os destruirá.

31 Que não se iludam mais ao confiar em riquezas vazias, pois o vazio será sua única recompensa.

32 Serão cortados na flor da idade; seus ramos jamais voltarão a verdejar.

33 Serão como a videira cujas uvas são colhidas cedo demais, como a oliveira que perde as flores antes que se formem os frutos.

34 Pois os ímpios não têm futuro; o fogo destruirá suas casas enriquecidas com subornos.

35 Concebem desgraça e dão à luz maldade; seu ventre só gera engano”.

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